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Termo de consentimento livre e esclarecido: como fazer e o que não pode faltar

Como fazer um termo de consentimento que serve para alguma coisa: o que precisa ter, quando é obrigatório, os erros que esvaziam o documento e o que a lei exige.

Thiago Rosa

CEO e fundador da Santé Sistemas

Resposta rápida:

O termo de consentimento livre e esclarecido é o documento em que o paciente registra que entendeu o procedimento, os riscos, as alternativas e o que acontece se ele não tratar. Ele autoriza o tratamento.

O que ele não faz: o termo não é renúncia de direito e não protege quem errou. Ninguém assina abrindo mão de ser indenizado por um erro. O que o termo protege é o profissional que informou direito e consegue provar isso dois anos depois.

O que é o termo de consentimento, sem juridiquês

É o registro de uma conversa que já deveria estar acontecendo.

Antes de qualquer procedimento, você explica ao paciente o que vai fazer, o que pode dar errado, quanto tempo leva, quanto custa e o que existe de alternativa. O termo é o papel que prova que essa conversa aconteceu e que a pessoa entendeu.

A palavra do meio é a que importa. "Esclarecido" quer dizer que o paciente compreendeu. Não que ele assinou.

Teste simples para saber se o seu termo presta: peça para alguém de fora da saúde ler em voz alta e explicar com as próprias palavras o que vai acontecer. Se a pessoa travar, o termo está escrito para advogado, não para paciente.

Quando é obrigatório

A regra prática: sempre que o procedimento tiver risco, custo relevante ou resultado que dependa de expectativa do paciente.

Na odontologia, isso pega extração, implante, endodontia, clareamento, cirurgia e ortodontia. Na estética, pega qualquer coisa injetável, laser, peeling e procedimento com anestésico. Em consulta de rotina sem intervenção, o termo costuma não ser exigido, mas o registro no prontuário continua sendo.

Existe um caso que quase todo mundo esquece: o menor de idade. Quem assina é o responsável legal, e ele precisa estar presente ou ter autorizado por escrito. Adolescente de 16 anos chegando sozinho para clarear os dentes é um problema jurídico, não uma conveniência de agenda.

Outro caso: procedimento estético em quem está grávida ou amamentando. Aqui o termo não resolve. Se o procedimento é contraindicado, assinar não libera.

O que precisa ter

Oito blocos. Faltando qualquer um deles, o documento fica frágil.

  1. Identificação completa do paciente e do profissional, com CRO ou CRM
  2. Nome do procedimento em linguagem comum, com o termo técnico entre parênteses
  3. Por que foi indicado naquele caso específico
  4. Como é feito, em passos, incluindo quantas sessões
  5. Riscos e efeitos esperados, separados: o que é normal (inchaço, sensibilidade) e o que é complicação (infecção, perda do elemento)
  6. Alternativas, incluindo a alternativa de não fazer nada e o que acontece nesse caso
  7. Cuidados depois, e o que o paciente precisa fazer da parte dele
  8. Data, local e assinatura dos dois

O item 6 é o mais esquecido e o mais cobrado. Um termo que só descreve o procedimento indicado, sem dizer que existiam outras opções, não é um termo de escolha. É um formulário de autorização.

5 erros que esvaziam o termo

Assinar tudo de uma vez na recepção

Ficha de cadastro, autorização de imagem e termo de consentimento no mesmo bloco, antes de o paciente ver o profissional. Isso descaracteriza o "esclarecido". A assinatura vale mais quando é feita depois da conversa, na sala, com o profissional presente.

Assinar depois do procedimento

Acontece mais do que parece, geralmente por correria. Um termo datado do mesmo dia mas assinado depois perde a função inteira, porque consentimento é anterior por definição.

Usar um termo só para tudo

Um documento genérico que serve para extração e para clareamento não descreve risco nenhum de verdade. Volte na seção seguinte.

Escrever para advogado

Se o texto tem "outrossim" e "supracitado", o paciente não entendeu. E a defesa de que ele foi esclarecido fica difícil de sustentar.

Não registrar que houve conversa

O termo assinado prova que existe um papel. Uma linha na evolução dizendo o que foi conversado, quais dúvidas o paciente trouxe e o que foi respondido prova que existiu diálogo. As duas coisas juntas valem muito mais que uma só.

Um termo por procedimento, e por que isso não é burocracia

Cada procedimento tem risco próprio. Clareamento tem sensibilidade e recidiva da cor. Implante tem falha de osseointegração e depende de higiene. Preenchimento tem risco vascular. Toxina botulínica tem assimetria temporária e duração limitada.

Um termo genérico não consegue descrever nada disso, e é justamente a descrição do risco específico que faz o documento funcionar.

A boa notícia é que isso se monta uma vez. Você escreve as folhas dos cinco ou seis procedimentos que faz com mais frequência e usa pelos próximos anos, revisando quando a técnica mudar.

Se quiser um ponto de partida, baixe o termo de consentimento livre e esclarecido pronto para preencher. Vem o modelo geral mais quatro folhas por procedimento: clareamento, implante, toxina botulínica e preenchimento.

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No Santé você monta o termo da sua clínica, envia para o paciente ler e assinar pelo celular antes de chegar, e o documento assinado fica anexado no prontuário dele. Teste grátis por 7 dias, sem cartão.

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Assinatura e guarda

Assinatura eletrônica vale. A MP 2.200-2, de 2001, dá validade jurídica à assinatura eletrônica no Brasil, desde que dê para identificar quem assinou e quando. Na prática, um sistema que registra data, hora, IP e identificação do signatário deixa um rastro melhor que uma rubrica no papel.

Guarda de 20 anos. O termo faz parte do prontuário, e o prontuário precisa ser guardado por no mínimo 20 anos a partir do último atendimento, conforme a Resolução CFM 1.821/2007. Em papel isso vira caixa de arquivo morto que ninguém consegue consultar. Em nuvem é busca por nome.

Uma via para o paciente. Ele tem direito à cópia. Entregar sem ele pedir também reduz atrito depois.

LGPD. Dado de saúde é dado pessoal sensível, a categoria mais protegida da Lei 13.709/2018. Isso significa controlar quem da equipe acessa o quê e conseguir mostrar esse controle se for questionado. Armário destrancado na recepção não atende.

Perguntas frequentes

O termo de consentimento me protege de processo?

Não protege de erro. Se houve falha técnica, o termo não impede a responsabilização. O que ele faz é provar que o paciente foi informado dos riscos previsíveis e mesmo assim optou pelo procedimento. Isso resolve o tipo mais comum de conflito, que é o paciente alegando que ninguém avisou que aquilo podia acontecer.

Preciso de termo de consentimento para consulta simples?

Para consulta de avaliação, sem procedimento, normalmente não. O registro no prontuário já cumpre a função. O termo passa a ser necessário quando existe intervenção com risco, custo relevante ou expectativa de resultado estético.

Quem assina o termo de um paciente menor de idade?

O responsável legal. Ele precisa estar presente no momento da assinatura ou ter autorizado formalmente por escrito. A partir dos 16 anos é boa prática colher também a concordância do próprio adolescente, além da assinatura do responsável, mas a validade jurídica vem do responsável.

Termo de consentimento assinado digitalmente tem validade?

Tem, pela MP 2.200-2 de 2001, desde que seja possível comprovar quem assinou e quando. Sistemas de gestão registram data, hora e identificação do signatário, o que dá mais rastreabilidade do que assinatura em papel guardada em pasta.

Por quanto tempo preciso guardar o termo?

No mínimo 20 anos a partir do último atendimento, junto com o resto do prontuário, conforme a Resolução CFM 1.821/2007. O termo não é um documento separado do prontuário, ele faz parte dele.

Posso usar o mesmo termo para todos os procedimentos?

Pode, mas funciona mal. O que dá força ao documento é a descrição do risco específico daquele procedimento. Um termo genérico não descreve risco de recidiva de cor no clareamento nem risco vascular no preenchimento, e é exatamente sobre isso que os conflitos acontecem.

O paciente pode se recusar a assinar?

Pode, e nesse caso o procedimento não deve ser feito. Registre a recusa no prontuário, com data e o que foi explicado. Fazer o procedimento sem consentimento é um risco maior do que perder o atendimento.

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Por onde começar

Liste os cinco procedimentos que você mais faz. Para cada um, escreva em três linhas o que pode dar errado e o que você já explica de boca hoje. Isso é o miolo do termo, e você já sabe de cor.

Depois disso é formatação. E se o paciente puder ler e assinar pelo celular antes de sentar na cadeira, você deixa de gastar tempo de consulta com papel.

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